segunda-feira, 17 de julho de 2017

BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO?



   

Nas últimas semanas estive em mais de cinco presídios. Foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. Acredito que terei de viver mais 20 anos para presenciar novamente uma situação tão assustadora.

Posso afirmar categoricamente que o que testemunhei seria capaz de fazer muita gente ranger os dentes e pessoas inertes repensarem sua omissão.
Confesso que, quando tive a ideia do texto, pretendia fazer uma resenha acadêmica, sem o apelo da primeira pessoa. Mas não teve jeito, a primeira pessoa tomou as rédeas e o viés acadêmico e jornalístico tomou seu devido rumo.
O texto é antes de tudo um grito de socorro.
O sistema prisional brasileiro configura praticamente uma rede de campos de concentração de pretos, pardos, mulatos, pobres e dependentes químicos, onde a lei do mais forte é a única que realmente funciona.
Todos sabem, todos imaginam, todos lamentam, todos excluem, todos fingem que o problema não é seu.
A barbárie institucionalizada é apoiada pelas grandes mídias e por especialistas com visões pouco profundas, que vivem multiplicando a velha máxima: “Bandido bom é bandido morto”. Como se não tivessem culpa, como se sua inércia não contribuísse para tal situação. Bandido morto, somente quando é filho da vizinha, os deles com certeza legitimariam e dariam uma segunda chance.
O ódio é alimentado por uma sociedade excludente, que subjuga, condena, e depois reclama do aumento da criminalidade e da eterna crise em que vivemos.
A escola falhou, a sociedade, a igreja, a família e a oligarquia estruturada desde a nossa artesanal colonização também. O velho ranço escravocrata permanece até os nossos dias.
Isso mesmo, continuem assim, protelando suas responsabilidades.
Como se os presos fossem ficar trancados para vida toda, como se um dia eles não fossem sair de lá e ameaçar suas vidas de pequenos burgueses.
Um país onde a tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar e afins, são reservados apenas aos membros da dita elite, que quando roubam, o único castigo que recebem é ir para o cantinho da disciplina das suas luxuosas mansões. É uma justiça distorcida, só para gringo ver.
Justiça politizada, arcaica, e estruturada em leis, cuja aplicação depende da conta bancária.
A sociedade precisa encarar este problema de frente.
Reitero que, se não por eles, os ditos condenados, que seja por seus filhos e netos que herdarão este país. Apelo sim, para a família, se assim se faz necessário, nesta sociedade pouco pensante, que só olha para o próprio umbigo.

Vítimas do tráfico

Mais de 70% dos presos estão lá por envolvimento com o tráfico e muitas vezes por serem dependentes químicos. Uma epidemia que assola o país, porém os doentes com pedigree são levados às clínicas de recuperação, enquanto os outros aumentam as estatísticas na cadeia.
O que escutei de uma boa parcela destes excluídos, foram verdadeiros gritos de socorro de dentro do cárcere.
As instituições são omissas e não prestam assistência psicológica e social adequada. A situação somente é amenizada graças à dedicação de abnegados heróis anônimos, que tive o grande prazer em conhecer, tais como psicólogos, padres, pastores, assistentes sociais etc.
Pergunto-me: cadê a nossa “elite”, os empresários, a dita hierarquia acadêmica deste país, que não fazem nada?
Ao andar pela Cracolândia em SP, um dos grandes berços destes delitos, me deparei com cenários análogos aos campos de leprosos, todos ali unidos por um único fio condutor: as drogas.

Mãe passou a noite ao lado do filho, na “nova” Cracolândia para evitar que ele usasse drogas.
Crédito: Claudia Canto
Juntos, incomodam e acabam se tornando um cartão postal deste país, jogados às traças por causa de meia dúzia de aproveitadores, que ainda hoje vivem de títulos, foro privilegiado e relacionamentos.
A dita oligarquia, prostituída no seu berço esplêndido, finge que não enxerga. Sentem-se satisfeitos por entenderem que fazem a sua parte, incluindo por exemplo a suposta libertação dos escravos, que na verdade foram atirados na rua, sem estrutura, sem trabalho, sem nada. E esta problemática permanece até hoje, manifestando-se nas cadeias, favelas etc.
São incapazes de empreender a inclusão cultural, a começar pelos seus empregados, e de transmitir o conhecimento adquirido em suas escolas privilegiadas.
Isso mesmo, continuem assim, enfiando a cabeça na areia como avestruzes. A Europa é um exemplo vivo da ação das leis da Natureza, que age como um grande bumerangue. Os emigrantes, outrora escravizados, hoje invadem o seu território via terra e mar.
É o êxodo dos ex-escravos!
Nada passa impune, a natureza cobra. Se não acreditam no revés da natureza, pois que estruturem seus conhecimentos através dos livros de história.
Haverá o dia em que estas caveiras sairão dos seus armários da sala de estar.
Ou tomamos alguma atitude agora, ou o verniz de nossas farsas escorrerá por cima das nossas maquiagens.
Senhores, façamos alguma coisa!
Precisamos rever as leis anti-drogas, a proibição que incentiva o crime, as aulas de prevenção nas escolas, a inclusão cultural, a cultura da corrupção etc.
Onde não temos justiça, educação, segurança e cultura, o poder paralelo toma conta.
A hora é agora, se não por amor, que seja para evitar a dor!

Claudia Canto
Jornalista literária, escritora, palestrante e apresentadora

quinta-feira, 11 de maio de 2017

No nosso programa "Raros, Ricos um Mergulho na Vida, falamos sobre arte urbana, arte sem rótulos, arte que liberta, que transcende, arte como forma de transformação.
E para isso recebemos Amandy Gonzalez e Beto Kapeta Angélico, artistas responsáveis pelo Coletivo Yopara a Casa do Sol e Coletivo EsquizoCênica, ambos
preconizam a arte em um dos locais mais vulcânicos da cidade de SP: Praça Rossevelt. Conhecida pela cena alternativa e diversidade cultural. É ali nas suas escadarias que eles realizam a festa da vaca, um evento que visa romper as barreiras dos preconceitos, ultrapassar rótulos e acima de tudo ocupar a rua, além de saraus eróticos, intervenções urbanas, performance poéticas, entre outras formas de manifestações artísticas. Tudo isso, sem apoios de órgãos governamentais, apenas pelo prazer incontrolável de produzir arte.
Sim, existe arte nas ruas cinzas de SP, e Amandy e Betinho, nos contou como conseguem sobreviver de arte em meio ao caos da Babilônia.
Sim, existe amor em SP!

Mulher de 50 também pode...


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Em Rio Claro a escritora, palestrante e apresentadora Claudia Canto está em busca de parceria para realizar palestra sobre superação na Casa Escola do município, onde em visita ao Diário contou um pouco sobre sua trajetória
Claudia Canto também é palestrante, Escritora e Jornalista Literária.
Nascer na Cidade Tiradentes, bairro da periferia de São Paulo, não foi empecilho para Claudia Canto conquistar seu espaço. Tornou-se uma profissional multifacetária: escritora, apresentadora, jornalista, palestrante e técnica de enfermagem.
Várias viagens internacionais propiciaram experiências em muitos lugares como São Paulo, Alemanha, Lisboa, Londres, Glasgow, Espanha e Paris.
Hoje com quatro livros publicados, sendo o primeiro “Morte às Vassouras” também em inglês, com temas repletos de curiosidades e experiências vividas pela autora.
A vida reservou para ela momentos inéditos, um conjunto de situações que pouca gente viveu. De jornalista a imigrante ilegal na Europa e técnica de enfermagem numa clínica psiquiátrica no Brasil. É assim a vida nada comum de Cláudia Canto, que, de cada aventura e aprendizado, fez um livro.
Seus trabalhos
– Morte às Vassouras:
Experiência real vivida como empregada doméstica de um palacete em Lisboa, traduzido para o inglês e lançado na Universidade de Oxford e Glasgow
– Bem Vindo ao Mundo dos Raros, contos e crônicas de uma Psiquiatria.
Por três anos a autora trabalhou como Técnica de Enfermagem em uma Psiquiatria e desta experiência escreveu uma coletânea de contos, com glossário técnico de um experiente médico psiquiatra.
– Mulher Moderna Tem Cúmplice
Violência doméstica contra as Mulheres, narrado por um personagem masculino, baseado em depoimentos reais.
– Cidade Tiradentes de Menina a Mulher
Nesta obra a autora transforma o bairro em que mora em uma personagem feminina, a partir de então faz um paralelo com a sua própria história. Um livro onde a realidade e a ficção nos transportam a um mundo de mistério, dor e alegria

domingo, 30 de abril de 2017

Raros, Ricos um mergulho na vida


Dia 02/05 - Terça-Feira - 20:00horas
E na terça no nosso charmoso programa "Raros, Ricos um mergulho na vida." Falaremos de um tema pra lá de audacioso: "Mulheres de 50." Afinal quem são estas mulheres, que apesar da experiência, são muitas vezes excluídas do mercado de trabalho, que na fase mais madura da beleza, são colocadas à prova diariamente pela ditadura da juventude eterna?  
rRSim, entraremos no mundo enigmático e ao mesmo tempo autêntico destas mulheres, que muitas vezes pagam um preço caro por isso. E pra falarmos deste tema com conhecimento de causa, traremos a irreverente atriz Denise Prado, que através da sua peça "Mulher de 50 pode...", vem dando seu recado de forma corajosa e bem humorada, pra aqueles que ousam desafiar as aptidões destas mulheres, que mais que autonomia financeira, exalam autonomia existencial. Denise, acaba de voltar de Portugal, onde provocou estardalhaço com sua performance provocativa e ao mesmo questionadora, que sem dúvida nos leva à reflexão. 
Bora conosco, quebrar paradigmas e Compartilhar Riquezas!!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Espetáculo HumaNus
Tive a satisfação de prestigiar o espetáculo Humanus da Cia Teatral Art &Improviso. A peça retrata cenas que muitas vezes presenciamos na vida real. Os personagens através de uma belíssima atuação reproduzem situações reais, nos levando a refletir e a questionar nossas atitudes e julgamentos em relação ao outro. Trata-se essencialmente de quebra de paradigmas, sendo capaz de levar o público a olhar as entrelinhas das histórias, com um janela aberta para as suas próprias feridas
Humanus é capaz de nos fazer sair do teatro acompanhados pelos
personagens, e com certeza a pizza terá um sabor diferente.
Vale a pena conferir

Local: Teatro do Ator (Centro- SP)

Elenco/Direção: Texto e Direção: Fernando Dom Castilho e Audrey Ayumi. Com: Fernando Dom Castilho, Audrey Ayumi e Cia Teatral Art & Improviso.